sexta-feira, 12 de agosto de 2011

No Evangelho segundo São Mateus 9,35-38.10,1.6-8 - podemos constatar o envio à missionaridade:

Jesus começou a percorrer todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, proclamando a Boa Nova do Reino e curando todo tipo de doença e de enfermidade. Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse aos discípulos: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!” Chamando os doze discípulos, Jesus deu-lhes poder para expulsar os espíritos impuros e curar todo tipo de doença e de enfermidade. Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! No vosso caminho, proclamai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai doentes, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!


Jesus percorria as cidades e as aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando todas as enfermidades e doenças. Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe.» Jesus chamou doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos malignos e de curar todas as enfermidades e doenças. Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça.


Hoje a igreja está preocupada com a pouca missionaridade. Os cristãos não se sentem comprometidos no anúncio. No máximo se esforçam para viver o evangelho no castelo do próprio coração, tentando evangelizar a própria família e, quando muito, o próprio ambiente de trabalho. Mas ir para outras terras, ultrapassar o estreito campo do próprio egoísmo, não entra na consciência evangelizadora de muitos cristãos. È necessário então repensar a “missionaridade” dentro da igreja, fazer compreender que ser missionário não é uma tarefa restrita a um pequeno grupo: sacerdotes, diáconos, consagrados… mas sim é a missão de todos os batizados.


O trabalho é muito e os trabalhadores são poucos. Desde aquela época existiam dificuldades na missão dos cristãos. Infelizmente as pessoas não querem se comprometer, porque todo comprometimento exige dedicação, entrega, renúncia. Com certeza, evangelizar não é um trabalho fácil, existem muitos obstáculos no caminho e poucas pessoas dispostas a ouvirem e vir caminhar conosco. E Jesus nunca disse que ia ser diferente.


Neste Evangelho, Jesus antes de mandar os 72 em missão, já os previne de que nem em todos os lugares eles serão aceitos, mostra que serão rejeitados mesmo, mas é preciso continuar, mesmo que isto aconteça não se pode parar.


As dificuldades virão, principalmente nos locais que mais amamos, como nossas casas e até mesmo na Igreja. Evangelizar os que não conhecem nem sempre é o mais difícil, pior é fazer os que já conhecem converter-se diariamente, porque infelizmente muitos se acomodam. O importante é ser perseverante, é ir em busca desses corações e principalmente, levar a paz a essas pessoas e locais. Sem essa paz nunca poderemos cumprir nossa missão, pois em todos momentos seríamos levados a desistir, todavia, a certeza que nossa recompensa virá e que nossa voz poderá ajudar a tantos que necessitam, nos fortalece e nos faz cada vez mais missionários.

Fonte:
http://www.cursilhoanapolis.com.br/?p=673

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Evangelho segundo Mateus - O irmão é sagrado

Mt 28,10 : O Ressuscitado, o Senhor da Comunidade, reconhece na Igreja seus irmãos. É bom sabermos que Jesus é visto por Mateus como aquele que considera a todos como irmãos. Com isto nos convida mais uma vez a nós todos a fazermos o mesmo.
Mt 26,61 Jesus é acusado por falsas testemunhas ter falado da destruição do templo. Esta destruição de fato acontece na hora de sua morte (Mt 27,51) quando se rasgou de alto a baixo o véu do templo. Acabou-se o sagrada do templo.
Em Mt 7,12 há uma frase que diz ser o resumo de toda a Lei e os Profetas. Com certa semelhança se repete a frase em Mt 22,40. Esta última é recebida da tradição marcana. Mas antes nas comunidades cristãs se repete o que está em 7,12: Rm 13,8-10; Gl 5,14; Tg 2,8; I Jo 4,20. Estes textos apontam para a mesma direção : o próximo. Melhor dito, o irmão. Próximo ainda é impessoal. Irmão é pessoal e conhecido.
Mt 26,41 há uma recomendação de Jesus: vigiai e orai para não cairdes em tentação. De que tentação? Creio que seja da evasão, da fuga, que aconteceu em seguida. É preciso rezar e, quem sabe, muitíssimo mais, porque os desafios são grandes. Somos constantemente instados a olhar para o mundo e compreender nossa missão. A tentação da evasão agora é facilitada pela busca do mistério que hoje é tão grande. Mas é uma busca de conotações subjetivas, individualistas e com critérios exclusivamente sentimentais.
Jesus é o maior ateu da história. Deve soar muito estranho isto.  É muito difícil entender que alguém fale nisto justamente num período da história em que vivemos. Um período meio “místico”. Todo mundo fala de Deus. Todo mundo tem sede de Deus.
Porém. Em Mateus Jesus cita duas vezes o texto da rejeição dos sacrifícios. Quero a misericórdia, não os sacrifícios. A Ele vamos poder encontrar no templo? Ou em algum outro lugar sagrado? Não tem mais lugar sagrado. Agora só o outro é sagrado, pois ele se tornou presença dele. Ele é tão sagrado que até todos os sacrifícios devem esperar no altar para que primeiro aconteça a reconciliação com o irmão.
O que aconteceria na minha vida se eu levasse a sério esta proposta de Mateus em relação ao irmão ou irmã?  Recordo aqui o que Santo Agostinho disse ao comentar os salmos e que nós rezamos no Domingo passado : “Com efeito, nossa vida, enquanto somos peregrinos neste mundo, não pode estar livre de tentações, pois é através delas que se realiza nosso progresso e ninguém pode conhecer-se a si mesmo sem ter sido tentado. Ninguém pode vencer sem ter combatido, nem pode combater se não tiver inimigo e tentações” (Comentários sobre os salmos, Of. das Leituras do I D.Q.).
Há algum plano pessoal que quero concretizar para realizar durante o ano e, pela graça de Deus, progredir no caminho de discipulado do Senhor da Comunidade?
Pe. José Bonifácio Schmidt

domingo, 7 de agosto de 2011

Evangelho segundo Mateus - O Discípulo

Homens de pouca fé foi a expressão muitas vezes usada para falar dos discípulos.
Mt 6,30; 8,26; 14,31;16,8; 17,17-20; Nos dois relatos de tempestade depois de salvar os discípulos Jesus repreende com esta expressão: “homens de pouca fé”. A Igreja, Povo de Deus, se encontra no mundo em situação muito complicada. O barco está indo à deriva. Jesus está e não está. O que serve alguém dormindo? Só estorva. O pavor não deixa mais raciocinar direito. A Igreja em muitas situações tem recorrido ao Senhor que parecia ausente. Nunca a Igreja pode dizer que foi abandonada pelo Senhor. Mas seria também bom que ela fizesse as celebrações em que pudesse gritar : Kyrie swson
Não é a impiedade que se opõe à fé mas o medo (Mt 25,25). O maior sinal de abertura à ação do Espírito Santo é a coragem! Que a Igreja tenha ousadias corajosas de realizar a vontade salvadora do Pai em Guarapuava.
A linha teológica que percorre o Evangelho é o tema do discipulado (Mt 13,52; 27,57;28,19). Jesus é o Mestre, seus discípulos formam uma comunidade de “pequenos”, apelativo que alude aos “pobres de Javé”. Por sua vez, os apóstolos que seguem Jesus são apresentados como os protótipos do discípulo fiel (4,20.25; 8,1.10.18-22; 10,38; 27,55); e Jesus os forma, abrindo-lhes a inteligência (o coração bíblico) para que compreendam (8,25; 14,17; 15,33; 18,1). (cf. Tomás Parra Sánchez, Quatro facetas de Jesus, pg. 65).
O fardo de Jesus para os discípulos não se compõe de mais de 600 leis que ninguém consegue cumprir. Assim é o fardo dos escribas (Mt 23,4) . O fardo de Jesus é leve Mt 11,30. Se reduz a uma lei somente. A lei do amor ao próximo. Além do mais Ele carrega sobre as enfermidades e carrega nossas doenças (Mt 8,17).
O que o discípulo de Jesus precisa fazer? Ele precisa dizer para todo mundo que Deus está perto da gente. Que agora acabou o tempo das trevas, mas uma grande luz brilha na vida da gente. Deus nunca mais vai nos abandonar. Ele está no meio de nós.
“Vós sois o sal da terra. ... “Mt 5,13. Assim são os discípulos para a humanidade. Um critério de avaliação para o discípulo saber se está no caminho bom é este: É sal da terra? Está sendo um caminho bom? Dá gosto de viver para outros?  Pela vida dos discípulos os homens poderão reconhecer o Pai?
“Vós sois a luz do mundo.... Mt 5,14. “Mas subsiste o perigo de a Igreja esmorecer na sua altíssima tarefa, destruindo com as próprias mãos o seu significado no mundo. Pode acontecer que não irradie raios de luz para iluminar os homens, que deixe de ser campo de forças e energias fecundadoras da sociedade. O risco, para o qual sempre se inclina, é o de não dizer nada mais de fecundo e iluminante para a humanidade, pelo fato de não ser mais operativa na linha da existência própria dos filhos de Deus cujo testemunho são gestos de amor desinteressado “(Barbaglio pg. 117).
Todo discípulo é missionário. Não deve ser como os escribas e fariseus que percorrem mar e terra para converter (Mt 23,15) e transformam a pessoa em candidato ao inferno. Deve o discípulo, pela prática de vida, mostrar o caminho do discipulado a todos.
Todo discípulo é católico. Ele deve se dirigir a todo mundo. Não deve se circunscrever ao universo cultural próprio, mas estender sua ação a todas as culturas.
O discípulo se empenha em ser a extensão aos outros de tudo o que proclamam as bem aventuranças.
Ele é o pobre, ele é o manso, ele é o pacífico, ele tem fome e sede de justiça. O que normalmente não gostamos de ouvir: o discípulo é o perseguido. Ele também é o insultado, por causa de Jesus. Seria bom concretizarmos estas propostas para dentro de nossa Igreja particular e para dentro de nossas comunidades paroquiais. Não fazer destas propostas ideais muito bonitos, porém desencarnados. Sua encarnação muitas vezes é tão difícil!  Este retiro seja o momento o Kairós do Espírito para que, pela coragem dele (e o nosso medo?) possamos oferecer ao Cristo uma Igreja segundo a compreensão que Mateus (Dom de Deus) nos apresenta pelo seu Evangelho.
Pe. José Bonifácio Schmidt

sábado, 6 de agosto de 2011

Evangelho segundo Mateus - O Pai de misericórdia

Os talentos Mt 25,14-30.   A quantidade não interessa tanto embora aqui seja significativa. De fato, um talento equivalia a 6.000 dracmas. Com cinco dracmas podia-se comprar um boi. Quem recebesse 10 talentos poderia comprar 12.000 bois. Bela boiada! Não vamos pensar tanto em qualidades mas aqueles dons temporários que a gente recebe em benefício da comunidade. Creio que cada um de nós já recebeu muitíssimas vezes dons especiais para ocasiões especiais. É possível que nunca se tivesse dado conta. Enumerar uma lista dos talentos que você deverá ter. Deus não se deixa superar. Ele não é mesquinho! . Não parar enquanto não tiver experimentado uma alegria incontida!
Podemos também tomar estas citações sobre o Pai. Há algumas citações em negrito que vão ser comentadas logo abaixo. Como o Espírito é presença também pessoal é importante deixá-lo falar . Pode-se ler uma vez. Reler . Reler. Se alguém quiser insistir e ler dez vezes o mesmo trecho com a esperança de que o Espírito lhe aponte uma Palavra... 
O Pai de vocês: 5,16.45.48; 6,1.4.6.8.9.14.15.18.26.32; 7,11; 10,20.29; (13,43; 16,27); 23,9
O meu Pai: 7,21;10,32.33.37; 11,25-27; 12,50; 15,13; 16,17; 18,10.14.19.35; 20,23; 24,36;25,34; 26,29.39.42.53
11,28-30: “No nosso texto, é Jesus, revelador do Pai e da sua vontade, que dirige um convite urgente a todos aqueles que estão cansados e oprimidos (a imagem do jugo que se coloca sobre o pescoço do animal de carga). Trata-se do povinho, sobre cujos ombros os doutores da lei e os fariseus tinham imposto jugos demasiado pesados para serem levados (23,4). De fato, tinham construído, ao redor da lei de Deus, uma espessa cerca de prescrições minuciosas que, sob o peso de uma observância rígida e escrupulosa, sufocava o impulso obediente da liberdade do homem” (Barbaglio, pg. 197).  É bom a gente pensar o que estamos fazendo em nossas celebrações e homilias. Elas fazem com que o povo venha com gosto? Ou nós temos que ameaçar com todas as ameaças apocalípticas que atingirão aqueles que não vem temerosos às nossas celebrações?  Quanta carga nós impomos ao povo? Já pensaram que coisa linda termos à nossa volta uma comunidade que obedece com alegria as disposições salvadoras do Pai?
Mt 5,16 : Quando as pessoas começarem a glorificar a Deus por causa da nossa luz então nós seremos certamente a extensão da misericórdia do Pai. As pessoas não estão glorificando a Deus? Então a nossa luz anda fraca ou não está nem acesa. Mt 13,43: O brilho dos justos é como o brilho do sol no reino do Pai. Quem não deveria se sentir atraído por um belo sol que tudo ilumina e aquece? Crianças, jovens, adultos e velhos deveriam poder olhar para a nossa comunidade com a certeza de que ela é um sol para a vida.
Mt 6,8 : “O Pai já sabe de vossas necessidades antes mesmo de pedirdes” : O que nós não sabemos é a vontade do Pai a nosso respeito. Este caminho de descoberta da vontade do Pai precisamos fazer. Oração é sobretudo debruçar-se diante do Pai para saber dele o que Ele quer.O Papa João Paulo II já o diz na Carta às Famílias.
Mt 6,26 : “Olhai as aves do céu: não semeiam nem colhem nem guardam em celeiros e, no entanto, o Pai celeste as alimenta. E vós não valeis muito mais do que elas? A nossa tentação é ajuntar coisas. Às vezes temos tantas coisas atiradas nos cantos que chegam a apodrecer. Temos medo de dar quando são boas e temos vergonha quando apodreceram!
“Mt 7,11: “Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais o Pai, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem”. Seria muito interessante enumerar cinco coisas que eu acharia que o Pai deveria dar para mim.
Mt 12,50: “Todo aquele que fizer a vontade do Pai, que está nos céus, este é meu irmão e minha irmã e minha mãe”. Alegremo-nos. Não é tão complicado ser da família de Jesus!!
Mt 18,11: ”a vontade de vosso Pai celeste é de que não se perca nem um só destes pequeninos”. Então, mãos à obra. Quantos serão os pequeninos em minha paróquia que a comunidade deve ir procurar?
Mt 18,35: “Assim também fará convosco meu Pai celeste se cada um não perdoar seu irmão de todo o coração”. A insistência sobre o perdão é muito grande. Já vimos. Se alguém, no entanto, ainda se sente tocado, permaneça no tema. Deus pode estar sugerindo algo muito importante!
Pe. José Bonifácio Schmidt

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Evangelho segundo Mateus - Outras características da comunidade

1.A compreensão da Palavra. É uma comunidade que procura a compreensão da Palavra 13,23. Ela sabe ler a escritura e descobrir as promessas do Pai que se cumpriram em Jesus (cf. Mt 1,22; 2,15.17.23). Os segredos serão sempre segredos enquanto não forem revelados. É evidente! Não depende exclusivamente da disposição da pessoa querer saber dos segredos de Deus. É preciso que Este concorde em revelá-los. Jesus reconhece que aos pequenos é dado conhecer os mistérios do reino dos céus (Mt 11,25-26). a. Se a precedência dos cobradores de impostos e prostitutas é verdadeira então estes são os pequenos (cf. Mt 21,31). O que é ser cobrador de impostos ou prostituta? É ser excluído dos direitos de cidadania e especialmente dos direitos à graça de Deus, conforme a legislação detalhista e de tradição (cf. Mt 23,4) dos rabinos farisaicos. A Lei da Pureza excluía e não incluía. b. Pequeno também pode ser o que está iniciando a caminhada de fé. Há que ter muito cuidado com este.  Especialmente com o fermento dos fariseus e escribas. Pelo que aponta 16,12 se trata sobretudo de doutrina. Não basta ser especialista em doutrina das mais de 600 leis. É preciso a prática da Palavra (Mt 23.3). Pode se ter compreensão da expressão “Quem tem ouvidos, ouça” como um alerta à prática da vida de discípulo ou discípula e não com mil e uma teorias sobre Jesus. Importa seguir Jesus no dia a dia. Quem for discípulo de Jesus poderá ter acesso ao mistério de Deus. Só assim poderá ter uma vida de obediência à vontade do Pai, com o seu único Senhor e Mestre, Jesus.
2. A partilha é uma outra dimensão da comunidade. Mt 15,29-39 mostra Jesus compadecido da multidão como Javé no êxodo e qual novo Moisés, liberta o povo de todas as escravidões. Convida os discípulos a entrarem neste caminho pela partilha dos bens, representados nos pães e peixes.
3. A reconciliação : Mt 5,21-26. Há algumas observações a serem feitas. Primeiro: devo deixar a oferta não porque eu tenho algo contra alguém, mas quando alguém poderá ter algo contra mim. Se tomássemos a sério nas celebrações esta palavra muito pobre que se escandaliza pela nossa inação e falta de interesse por eles ficaria atendido pela nossa caridade não somente assistencial, mas também promocional ou libertadora. Jesus parece sugerir que a oferta é inválida se a reconciliação não acontecer.     Na oração do Pai nosso (Mt 6,12) colocamos a condição de nosso perdão ao perdão dado. Mateus ainda nos versículos seguintes admite que a condição para o nosso perdão é o perdão que nós damos. Conferir ainda Mt 18,35.
4.A vigilância ativa e responsável. : Mt 24,42-51.  Parece que aqui se trata de uso da inteligência. frwnimos  é traduzido por prudente, mas significa aquele que usa bem a sua inteligência para não ser pego de repente, de surpresa. Cabe à vigilância um bom planejamento. Isto é ser vigilante. Toda a recomendação da vigilância implica atitudes de planejamento bem feito. Ninguém me pega no contra-pé porque estou sempre atento a todas as circunstâncias da paróquia. Porque quando o Senhor vier (e não necessariamente na hora da morte!) me encontrará no posto certo trabalhando certo como Ele quer e não como minhas veleidades sugerem.
5. É discipulado e não ideologia. Em 23,8-10 sugere que na comunidade de Mateus alguns queriam mandar demais e receber todas as honrarias de Mestre, Pai. O máximo é ser irmão e se alguém quer mandar, seja como servo! Isto vale muito para nós que somos donos de paróquia. É preciso colocar humildemente a mística do discipulado e não embrenhar o povo nas ideologias de poder que tão bem sabemos usar! Nós precisamos reaprender a ser irmão de todos os paroquianos!
6. Deus provê : (Mt 6,31ss). Não significa que agora podemos descansar porque Deus cuida. Mas precisamos atender bem o que Jesus diz aqui em Mateus: Não se pré ocupar. Se você ficar pré ocupado você arrisca não fazer a tarefa de hoje. A cada dia o seu cuidado. Fazer bem a tarefa de hoje. Isto é confiar na providência de Deus.
7.Ler os sinais dos tempos: (Mt 24,37-41). Não se dar conta que Deus está caminhando com a gente é muita distração, senão burrice! No seminário (eu fui superior durante dez anos em seminário) não somos formados a ler os sinais dos tempos. O Concílio insiste sobre esta leitura. Um belo sinal dos tempos é o PRNM. Mas deve haver sinais de Deus na Igreja Particular de Guarapuava. Como Jesus vê minha comunidade paroquial e nossa Igreja Particular?
Pe. José Bonifácio Schmidt

5ª Romaria das Comunidades do Vicariato de Canoas (Canoas, Nova Santa Rita, Esteio e Sapucaia)

No dia 06 de agosto deste ano, todas as comunidades, paróquias e todo o povo do Vicariato de Canoas, se reunirão para a 5ª Romaria das Comunidades do Vicariato de Canoas.

Este ano o evento acontecerá em Canoas, na praça em frente à igreja São Pio X, bairro Mathias Velho em Canoas.

O início da chegada dos ônibus das comunidades está previsto para as 08h. Para as comunidades que vem de ônibus fica a dica para a chegada às 8 h, na Igreja São Pio X, que fica na Av. Rio Grande do Sul, 414 - Bairro Mathias Velho (próximo à estação Mathias Velho, do Trensurb).

Os ônibus deverão seguir pela Av. Rio Grande do Sul até a Rua Viamão ou Rua Torres, entram a direita até a rua Santa Catarina, onde fica localizada a Comunidade São José Operário (Rua Santa Catarina, 2251 - entre as ruas Viamão e Torres - ao lado da Antena da Band).


Leve sua família, leve a bandeira de sua Paróquia/Comunidade, vista a cor de sua comunidade e venha participar desta bonita caminhada do povo de Deus do Vicariato de Canoas. Participe!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O que é importante na Igreja: capítulo 18

Estamos diante do discurso chamado eclesial. Trata-se da vida da Igreja. Há diversos momentos na descrição da comunidade. Para entrar no reino é preciso ser como criança. Há diversas leituras. A que mais chama a atenção é que no tempo de Jesus a criança não tinha direitos. ”Nela via-se a situação objetiva da pessoa carente de qualquer direito e de qualquer consideração” (Barbaglio,p 275).Enquanto não fosse bar-mitzwa não era considerado como alguém. Era igual a escravo ou mulher. Não tinha identidade. Diante do reino dos céus todos somos pessoas sem direito, pois ninguém até hoje o conquistou por própria força e poder.. E se alguém recebe o reino como alguém sem direito vai ficar extremamente feliz em poder participar. Alguém sem direito ficará feliz e compreenderá a gratuidade de todas as coisas. Ele vai dizer como o Cura de Aldeia: “Tudo é graça”. Ele será o maior. (pode ser neste sentido porque outro parece que não existe!) no reino, pois captará as abundantes bênçãos de Deus.. Um terceiro momento é a acolhida dos sem direito. Isto é muito complicado. Mas se fizermos as nossas medidas sempre como as medidas dos fariseus e escribas e não dermos ocasião para que os excluídos possam sentar-se à mesa da fraternidade... Fazê-lo em nome do Senhor parece tornar o gesto mais importante. *O quarto momento: os pequeninos que crêem são escandalizados? : o que é escandalizar? É servir de tropeço (“O escândalo vai além do nosso habitual significado moralista. Ele indica, metaforicamente, uma pedra contra a qual um cristão instável tropeça” (Barbaglio,p 278). Quando eu sirvo de tropeço para o pequenino que crê? Quando faço de sua fé uma fé inoperante, vazia, sem chance de crescer. Não ofereço toda a possibilidade de se tornar grande na fé. Quando desvio o caminho de fé para um relacionamento exclusivamente individual com Deus estou sendo um tropeço na fé do pequenino que crê. É preciso que a fé seja sempre comunitária, eclesial. Uma fé que não volta o olhar para o outro é uma fé que está tropeçando. Alguém andou servindo de escândalo. O escândalo da fé é muito sério. Deixar as pessoas pequeninas na fé é estragar toda a sua vida. É preciso lançá-las no desafio do crente que transforma o mundo. É a pior coisa que se pode fazer a alguém. Melhor seria, antes de causar escândalo, amarrar no pescoço uma grande pedra e precipitar nos abismos do mar. Mateus diz que é tão sério que até a amputação do corpo da Igreja deve ser feita dos que poderão parecer muito importantes na comunidade (olhos para ver os sinais de Deus, mãos para estender ao próximo a reconciliação e o amor, pés para ir ao encontro do outro). *Ainda, cuidado para que não aconteça nenhum desprezo em relação a estes pequeninos porque aí a briga vai ser feia. A briga vai ser com os seus anjos! É tão fácil excluí-los da atenção! Relegar alguém pequenino a um canto. Santo Deus, não precisamos fazer nenhum esforço para isto. * Um outro momento muito significativo é a parábola da ovelha extraviada (em Lucas ela está perdida). Toda comunidade deve ser como o pastor que vai à procura da que se extraviou. O desvio provisório não pode se mudar em perda irremediável. Se é o nosso Pai que não quer que nenhuma se perca, imaginem que esforço grande cada membro da nossa comunidade fará para cuidar que ninguém se extravie! * Faz parte da fonte Q os ditos sobre o perdão. Mas aqui não se trata de irmão ofensor mas apenas pecador. É muito significativo os passos a serem seguidos. Quem faz assim? O respeito pelo pecador !!! * Daqui para frente entramos na fonte particular de Mateus: Ligar e desligar não é aqui dado ao ministério petrino ou só aos doze. É dado a toda a comunidade. As ações da comunidade eclesial tem força sagrada. * Uma questão que é preciso considerar é quando se está de acordo com o que pedir. Muitas vezes estamos juntos mas não estamos de acordo com o que pedir. Quando a situação de premência nos une podemos estar de acordo com o que pedir. *E quando estamos reunidos em nome do Senhor? Creio que muito facilmente dizemos que estamos reunidos em nome do Senhor mas poucas vezes podemos afirmar objetivamente isto. *Quem deve tomar a iniciativa de perdoar é o ofendido. E esta iniciativa deverá ser sempre. Lamec (Gn 4,24) queria se vingar 77 vezes. Aqui o perdão deve ser dado 77 vezes. “A contraposição de um perdão sem medida ao espírito vingativo é claríssima” (Barbaglio,p 283). *A graça e a misericórdia devem ser tomados como orientação de vida, isto mostra a parábola do servo sem piedade. Este fez uma experiência inacreditável e não levou a sério e não aprendeu a grandeza do perdão recebido.

Pe. José Bonifácio Schmidt

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Em Jesus acontece a justiça do Pai

“Toda planta que não foi plantada por meu Pai celeste será arrancada” Mt 15,13. Para João, que se negava a batizar, Jesus diz: “Deixa agora, pois convém que assim cumpramos toda a justiça” (Mt 3,15). Mas é no sermão da montanha que aparece mais o clamor da justiça: “Felizes os que tem sede e fome de justiça porque serão saciados” (Mt 5,6). “Felizes os perseguidos por causa da justiça porque deles é o reino dos céus” Mt 5,10. “Se a vossa justiça não for maior do que a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos céus” Mt 5,20. “Evitai praticar a justiça diante dos homens para serdes vistos” Mt 6,1. “Buscai , pois, em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça” Mt 6,33. *Devemos olhar o aspecto negativo das formulações: vossa justiça não seja a dos fariseus e escribas. Como é a justiça deles? É a justiça da retribuição. Deus deve me pagar o bem que eu tiver feito pelas 613 leis e preceitos que procuro seguir. É ainda uma justiça excludente porque o povo já por própria natureza (curtidor de couro, pastor, médico são profissões, entre outras, impuras) não consegue ser puro, ou ainda, por ignorância, não segue as leis. Está fadado a ficar fora do reino de Deus. A expressão de desprezo dos fariseus e escribas exprime bem o que pensam do povo: ‘am-há-aretz. Esta justiça é um fermento muito ruim que estraga toda a massa (Mt 16,11-12). Cuidado!  A doutrina dos escribas e fariseus é tentadora! Ela até dá um gostinho de grande auto suficiência: Com muita facilidade se dirá, pela doutrina dos escribas e fariseus, : eu cumpri toda a lei. A gratuidade se foi águas abaixo! Aliás, nossos irmãos espíritas tem como ”sottofondo” de seu aperfeiçoamento a autosuficiência. Com isto dispensam sempre a graça salvadora de Deus. *Outro cuidado muito grande é fazer as coisas para aparecer. Parecer e não ser. Isto é ruim. Isto é de fato, hipocrisia. Hipócrita era o ator de teatro. Ele representa um papel. Mas ele não é o que ele representa. Quem faz as coisas de justiça para aparecer é um bom ator de teatro. Os seminaristas muito bonzinhos são sempre um perigo. O melhor mesmo são os bem malandros... Se a estes se consegue convencer que vale a pena lutar por um ideal como o sacerdócio então se terá ganho um grande padre. Os outros já pensam em se acomodar. A não ser que a graça de Deus os desinstale de sua segurança. *Quando se fala em justiça em Mateus, na maioria das vezes, não se trata da nossa justiça. Nossa justiça é retributiva como dos fariseus. Supõe algum mérito. A justiça de Deus é salvífica. Não exige mérito. A linguagem profética está cheia desta imagem da justiça salvífica. Não é por nada que Jesus é identificado como profeta. A justiça em Mateus está ancorada na natureza do Pai. A coerência dele, pois Ele é um só (não tem duas caras) sempre, é ser lutador da vida para todos. A luta faz parte da gratuidade de Deus. Deus é o doador constante. Tudo provém dele. *Sonhar os sonhos de Deus. Isto faz bem para a saúde!  Ter sede e fome de justiça é sonhar os sonhos de Deus. Ele nunca desistiu do paraíso. Profetas se sucederam para lembrar as diversas alianças e especialmente a aliança feita com o povo no deserto. Veio também o filho. Mas os que tinham sido encarregados da vinha mataram o filho. A vinha é o símbolo do povo de Deus. Quantas vezes o filho é morto por causa da ganância, da injustiça dos homens?  Ainda é admirável que a paciência de Deus com a humanidade seja tão grande. É das muitas coisas que eu não compreendo em Deus. Deus só pode ficar tranqüilo quando todos encontraram sua identidade. É preciso investimento completo em busca da justiça: Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça “” (Mt 6,33). Isto significa : Salvar, salvar, salvar. Para que e para onde vai este “salvar”? Só para depois? Vida eterna em João vai se tornar sinônimo de vida em plenitude. Alguns “rasgos” de plenitude podemos perceber já aqui.  A sétima e última citação da justiça está na parábola dos dois filhos. Ali Jesus toma o exemplo de João e diz: “João veio entre vós para mostrar-vos o caminho da justiça...” (Mt 21,32). Mas como já aconteceu no tempo de Elias, de quem João é a expressão, a humanidade não aprendeu os caminhos da justiça. Nós já aprendemos o caminho da justiça? É significativo que Mateus cite sete vezes a justiça de Deus. Os números simbólicos ocupam lugar importante em Mateus. Sete é da totalidade.  Muitos comentários do evangelho de Mateus mostram a centralidade deste tema.       A superposição de papéis (pastor, rei e juiz) na parábola do juízo aponta um juiz que exerce justiça. Esta acontecerá no confronto para com os excluídos do direito à vida plena. Quando todos gozarem dos seus direitos concedidos pela liberalidade e pelo amor de Deus então a vida eterna está começando...
Pe. José Bonifácio Schmidt

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Jesus faz a vontade do Pai

Jesus é o revelador da vontade do Pai. ”É preciso pois observar que a revelação não significa simples notificação. Não se trata de um processo apenas cognoscitivo. Ao contrário, exprime doação daqueles bens salvíficos que Deus preparou ... quando será instaurado o Reino sobre a terra. Agora Jesus reconhece presente na sua experiência esta hora decisiva estabelecida por Deus para a salvação dos homens”.(Barbaglio, pg. 195). Em dois momentos muito significativos aparece sua missão: No Sermão da Montanha diz: “Tudo que quereis que os homens vos façam, fazei vós a eles. Pois esta é a Lei e os Profetas.” (Mt 7,12). Jesus transforma em formulação afirmativa o que se encontra em forma negativa na tradição rabínica: Tudo o que não quereis que os homens vos façam não fazei a eles. Em Mt 22,40 se lê: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. Apontando mais uma vez para o amor ao próximo como critério de prática cristã. Era esta revolução na compreensão da religião de Israel que chamou muito a atenção de Paulo (Rm 13,10; Gl 5,14)), de Tiago (Tg 2,8) e de João (I Jo 4,20).
A parábola dos dois filhos é mateana (Mt 21,28-32). Não basta dizer que vai fazer a vontade do Pai. É muito importante a gente se dar conta que até os que parecem se opor à vontade do Pai a realizam. FAZER a vontade do Pai é ouvir e praticar a palavra de Jesus (cf. 7,24).  Fazer a vontade do Pai é usar a inteligência. É deixar de ser burro, tolo! A vontade de Deus passa através da pessoa de Jesus. Os interlocutores da parábola (cf.Mt 21,23) são: altos funcionários do templo, os mestres da Lei, os notáveis do povo. Não basta estar na comunidade. É preciso cumprir a vontade de Deus.
Jesus o novo Moisés, obediente ao Pai. O discurso de Estevão (Atos 7) analisa a vida de Moisés. Os primeiros quarenta anos foram de independência. Ele sozinho quer libertar o povo. Não consegue e foge. Nos quarenta anos seguintes se instala junto a um sacerdote em Madiã. Casa e tem filhos. Abandonou a luta...SE ACOMODOU!! Deus lhe aparece para convidá-lo a libertar o povo. São os outros quarenta anos em que Moisés aprende a ser servo de Deus. É a partir dos oitenta anos que aprende a ser servo de Deus! Já no deserto, o povo sempre de novo reclama e Deus se cansa. Se declara arrependido de ter libertado e quer fazer de Moisés um novo povo. Moisés repreende Deus: Não, Senhor. Este povo é teu povo. Vai ajudá-lo! (Dt.9,11-14; Ex 32,7-14).  Isto, na verdade, é obediência!!! Moisés aprende a obedecer. No fim de sua missão acontece algo muito singular. Deus manda ir morrer e ele vai (Dt 34). Jesus é obediente ao Pai. A vontade do Pai é a vontade dele. Só no horto das oliveiras descobre que a vontade dele não é igual à vontade do Pai. Quer ter clareza desta!. Depois do terceiro pedido percebe que deve ser vontade do Pai sua entrega até a morte. E para nós, qual é a vontade do Pai? Esta está declarada nas bem aventuranças. A proclamação da felicidade do pobre está radicada na realeza de Deus. Não é nenhum capricho de Deus privilegiar o pobre. Só para ser o bonzinho? Não! É função do rei defender o direito e a justiça do pobre. A linguagem profética está cheia desta certeza da função real. Em Mt 22,40 mais uma vez proclama que o amor ao próximo é essencial na vontade do Pai. Este nem quer sinais do amor dirigidos diretamente a ele, como pretendem ser os sacrifícios: em duas ocasiões manifesta isto citando o profeta Oséias: A misericórdia e não os sacrifícios. (cf. Mt 9,13 e 12,7).  Mas o Pai sempre dará ocasião para todos. Ele não é exclusivista. Faz chover sobre justos e injustos (Mt 5,45) e convida todos os que encontrar para participar da construção da vinha. Pode até ser na última hora, pois o Pai não rejeita e paga bem. (Mt 20,1-15). O Pai não exige restituição de todos os bens que deu a cada um mas quer que se aprenda dele a ser filhos: fazer pelos outros o que aprendemos do Pai. A parábola do servo ingrato que não foi capaz de perdoar a dívida de seu companheiro é expressão do que o Pai gostaria que acontecesse na humanidade (Mt 18,21-35). Todo tipo de violência, todas as injustiças, todas as agressões de qualquer ordem contra os outros, atinge mais o Pai do que as ofensas diretamente dirigidas a Ele. Queres ofender ao Pai então procura atingir a um dos filhos dele.
(Os sonhos de José (Mt 1 e 2) e o sonho da mulher de Pilatos (Mt 27,19) são formas usadas para falar da revelação de Deus e aponta para tantos sonhos reveladores no AT. Embora não tenha nenhum valor exegético é importante continuar com os sonhos de Deus em relação à humanidade.).                  
Pe. José Bonifácio Schmidt

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Jesus = Emanuel = Deus conosco

Seria muito duro ouvir uma palavra assim: “jamais conheci vocês!” As donzelas, damas de honra, (Mt 25,12) são símbolo de todos os que não usam adequadamente a inteligência que receberam. É só abrir os olhos que se verá! Foi prometido por Ele através do profeta Isaías: Deus está conosco (Is 8,8.10). É um Deus especial: Ele é salvador (=Josué=Jesus). Não adianta querer multiplicar orações, pois só vai perceber a presença de Deus quem seguir a vontade do Pai que está nos céus (Mt 7,24) Mas como é tolo aquele que constrói sobre a areia! (Mt 7,26).  Não ser reconhecido por Jesus como discípulo é muito ruim. Um solene “Jamais conheci vocês” (Mt 7,23 e Mt 25,12) deve ser horrível. É igualmente horrível não tê-lo conhecido. “Quando foi que te vimos nu e não te vestimos?” (Mt 25,31-46). Mostrar que não se está atento à presença de Deus no irmão é sinal de burrice. *O capítulo 14 mostra Jesus sendo o Emanuel junto ao povo, especialmente em 14,22-33: A imagem da Igreja (a barca) nas ondas revoltas (mar é morada de Leviatã ,o opositor de Deus). Jesus muitas vezes parece não estar presente. Acontecem na Igreja situações de desânimo, de fracasso, de medo. Os discípulos, com o mar agitado, estão apavorados. Além disso um fantasma. Isto já é demais!!  “Sou eu” lembra o nome de Deus dado a Moisés: Javé. Parece que no êxodo uma aproximação de seu significado é “Aquele que faz existir” . É o que acontece nitidamente nesta passagem. Pedro retorna à existência do crente e ouve a igreja (os da barca) proclamar que Jesus é o Filho de Deus (Mt 14,33). (= vê só : Pedro não foi original no que proclama no capítulo 16). Quantas vezes eu mesmo já fiz a experiência do que Deus faz acontecer em mim? Ou será que não proporciono ocasião a Deus realizar em mim seus projetos de salvação?  Eu nem me lanço na aventura de ir ao encontro do Senhor. Nunca precisei gritar com minha comunidade : Senhor, salva-me  (Kurie,swson me) ! Era o grito da comunidade litúrgica que precisava sentir bem perto a presença do EMANUEL. No outro relato da barca (Mt 8,23-27) já haviam pedido socorro: Senhor, salva-nos que perecemos. Deus, em Jesus de Nazaré, caminha conosco e muitas vezes nem percebemos sua presença. E quando percebemos a fazemos uma presença inócua. A presença dele não enche mais o nosso peito de ardorosos brios! *Na leitura que Mateus faz de Jesus reconhece nele o novo Moisés (não um segundo Moisés, clonagem do primeiro!). Desde a infância é perseguido Mt 2,13-18 (Herodes é a personificação de Faraó). Foge e encontra refúgio no Egito. Imaginem só! A terra que deveria ser a terra da liberdade tornou-se a terra da perseguição! Mas os sonhos de José possibilitam a volta, não para a Judéia que continua perigosa, mas para a Galiléia das nações. Qual Moisés no início de sua atividade, Jesus sobe a um monte (Mt 5,1) e traz consigo a multidão (ao contrário de Moisés que sobe sozinho ao monte Sinai). Jesus faz a multidão sentar à volta e abre a boca (sem as manifestações violentas do Sinai) e proclama a presença de Deus. Dá valor à Lei que provem de Moisés. Aperfeiçoa, porém, esta Lei. A perfeição da Lei não está na multiplicação de preceitos dos escribas e fariseus (mais de 600 !) mas na compreensão e hierarquia da Lei. A máxima lei é a do amor ao próximo. E nisto deveremos ser perfeitos como o Pai dos céus é perfeito (Mt 5,48). A justiça dos fariseus e escribas não conduz ao reino (Mt 5,20).*Em Mt 15,29(a presença de Deus na montanha) vemos um novo Moisés libertando todo o povo de todas as suas escravidões. Todos aqueles que não pudessem assumir com liberdade a sua vida eram curados. Isto é libertação. A alegria se torna tão grande a ponto de a multidão prorromper em aclamações e aleluias. Só poderiam mesmo glorificar a Deus pela libertação que este novo Moisés estava realizando com seu povo. *Jesus está presente no meio de sua comunidade {18,19s}.Vejamos um pouco mais de perto esta passagem. Quando é que a gente pode dizer que está reunido em nome de Jesus? Quando Ele autoriza a reunião em nome dele. Quando formos como excluídos (se tornar criança) diante da grandeza do reino de justiça, de fraternidade, de filiação que Jesus propõe. No final do Evangelho (Mt 28,20) Jesus, a quem foi dado todo o poder no céu e na terra (v.18), garante sua presença :“E eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo”. Vamos curtir a presença de Jesus em sua Igreja. Ele nunca se afastou dela. Muitas vezes faz que ela corrija a rota que segue. Quando ela se torna muito intimista Jesus, com o poder de seu Santo Espírito, a torna comunitária, solidária com os pobres, libertadora de todas as amarras. A presença de Jesus em sua Igreja assegura sua permanência no coração da História..
Pe. José Bonifácio Schmidt