| Uma prática muito antiga que chega até os nossos dias | |
Nasceu com o próprio cristianismo a prática de sustentar materialmente aqueles que têm a missão de anunciar o Evangelho, a fim de poderem entregar-se inteiramente ao seu ministério, cuidando também dos mais necessitados (Atos dos Apóstolos 4,34;11,29). | |
No final do século VIII, os anglo-saxões, depois da sua conversão, sentiram-se tão ligados ao Bispo de Roma que decidiram enviar, de maneira estável, uma contribuição anual ao Santo Padre. Assim nasceu o "Denarius Sancti Petri" (Esmola para São Pedro), que rapidamente se espalhou pelos países europeus. Esta prática - como outras semelhantes - passou por vicissitudes diversas ao longo dos séculos até que foi consagrada pelo Papa Pio IX através da sua Encíclica Saepe venerabilis, de 5 de Agosto de 1871. Esta coleta realiza-se atualmente em todo o mundo católico, coincidindo na sua maior parte com o dia 29 de Junho ou o domingo mais próximo da Festa dos Apóstolos São Pedro e São Paulo. Chama-se Óbolo de São Pedro a ajuda econômica que os fiéis oferecem ao Santo Padre, como sinal de adesão à solicitude do sucessor de Pedro relativamente às múltiplas carências da Igreja Universal e às obras de caridade em favor dos mais necessitados. As ofertas que os fiéis dão ao Santo Padre destinam-se a obras eclesiais, a iniciativas humanitárias e de promoção social, e também para a sustentação das atividades da Santa Sé. E o Papa, enquanto Pastor da Igreja inteira, preocupa-se também com as necessidades materiais de dioceses pobres, institutos religiosos e fiéis em graves dificuldades (pobres, crianças, idosos, marginalizados, vítimas de guerras e desastres naturais; ajudas particulares a Bispos ou Dioceses em necessidade, educação católica, ajuda a refugiados e migrantes, etc.). Fonte: http://www.vatican.va/roman_curia/secretariat_state/obolo_spietro/documents/history_po.html |
domingo, 3 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
O Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus - Ano A - Relação entre os livrinhos
1º livro – A Justiça do Reino
Ø Jesus anuncia o Reino
Ø O Sermão da Montanha - Condições para entrar no Reino
O Reino vem primeiro para os necessitados e Jesus precisa de colaboradores. Ele explica o que é a justiça e como produzirá a libertação dos pobres e oprimidos.
5º livro – A vinda definitiva do Reino
Ø O Reino é para todos
Ø A vigilância - O futuro Reino
Jesus rompe com a velha aliança e ensina a seus discípulos, sementes do novo povo de Deus, sobre a nova aliança, misericórdia que faz justiça aos oprimidos e marginalizados.
2º livro – Uma justiça que liberta os povos
Ø Os milagres: sinais do Reino
Ø A missão – Como anunciar o Reino – O novo Povo de Deus
Os milagres de Jesus mostram que a justiça liberta o povo de toda opressão e cura toda a pessoa. O trabalho é muito e exige mais pessoas.
4º livro – O novo Povo de Deus
Ø O seguimento de Jesus
Ø A comunidade dos seguidores – Sinal do Reino
Os seguidores da palavra e da ação de Jesus se reúnem ao redor dele para formar o novo povo de Deus e vivem mutuamente o perdão e a misericórdia.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
O Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus - Ano A
Mateus organiza todo o assunto do Evangelho em cinco livrinhos, cada um contendo uma parte narrativa seguida de um discurso.
A palavra de Jesus é apresentada como resultado de uma ação e toda ação é sempre ensinamento.
INTRODUÇÃO (1-2)
Jesus dentro da História do Povo de Deus (1,1-17).
Jesus: um novo começo dentro de um novo Êxodo (1,18 -2,23).
PRIMEIRO LIVRO (3-7) - A JUSTIÇA DO REINO DE DEUS
NARRAÇÃO:
Jesus anuncia o Reino (3-4).
DISCURSO:
O Sermão da Montanha – As condições para entrar no Reino (5-7).
DISCURSO:
O Sermão da Montanha – As condições para entrar no Reino (5-7).
SEGUNDO LIVRO (8-10) - UMA JUSTIÇA QUE LIBERTA OS POBRES
NARRAÇÃO:
Os milagres: sinais do Reino de Deus (8-9).
DISCURSO:
A missão (10) - Como anunciar o Reino.
TERCEIRO LIVRO (11,1-13,52) - UMA JUSTIÇA QUE PROVOCA CONFLITOS
NARRAÇÃO:
As reações diante da prática de Jesus (11-12).
DISCURSO:
As parábolas do Reino (13,1-52) - O mistério do Reino.
QUARTO LIVRO (13,53-18,34) - O NOVO POVO DE DEUS
NARRAÇÃO:
O seguimento de Jesus (13,53-17,27).
DISCURSO:
A comunidade dos seguidores (18,1-35) – Como viver a proposta do Reino.
QUINTO LIVRO (19-25) - A VIDA DEFINITIVA DO REINO
NARRAÇÃO:
O Reino é para todos (19-23).
DISCURSO:
O discurso da Vigilância (24-25) – O futuro do Reino.
CONCLUSÃO (26-28)
A PÁSCOA DA LIBERTAÇÃO
O Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus - Ano A
Um midrash é como uma história ou uma reflexão sobre passagens bíblicas, com o intuito de atualizar estas passagens.
É um exercício de leitura que busca contar um fato novo, partindo do texto da Escritura.
Seleciona alguns pontos para atualizar a mensagem bíblica.
Um midrash tem sempre como ponto de referência as Escrituras.
A vida de Jesus é relida a partir dos fatos e acontecimentos que mostram a vida dos antigos profetas como Elias e Eliseu (1Rs 17-2Rs 10).
Como estes profetas, Jesus também faz milagres.
- Multiplica pães (2Rs 4,42-44 e Mt 14,13-21).
- José e o anúncio do Anjo como aos antigos patriarcas (Gn 16,7;21-17;22-11;Ex 3,2).
- O menino nascerá de uma Virgem (Is 7,14)
- Os magos que reconhecem a presença de Deus no menino (Ex 7,11.22; 8,3.14.15; 9,11)
- A estrela é um sinal da vinda do Messias (Nm 24,17)
- O menino nasce em Belém segundo a profecia de Miquéias (Mq 5,1)
- Os presentes dos magos lembram as profecias de Isaias (Is 49,23; 60,5; Sl 72,10-11)
- Herodes massacra o povo de Deus (Ex 1,8.16)
- Jesus foge para o Egito (Jr 26,21; 43)
- A violência de Herodes (Jr 31,15)
- Para que se cumprisse a profecia de Oséias (Os 11,1)
- O menino escolhido por Deus para ser um libertador (Jz 13,5.7)
Estrutura
A grande introdução da infância (1-2) se inspira em Moisés no Egito e em anúncios proféticos.
Sobressaem os famosos cinco discursos, como um novo Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio)
Mt 5-7: Sermão da Montanha (representa a Lei do Sinai)
Mt 10 : Discurso da Missão
Mt 13 : Discurso em Parábolas (explicam como é o Reino de Deus)
Mt 18 : Sermão para a Igreja (dá instruções à comunidade)
Mt 24-25 : Discurso escatológico
Como desfecho, a paixão, calcada sobre o Salmo 22 e outros textos do AT.
Através da palavra e ação, Jesus vai educando a comunidade cristã para realizar concretamente a vontade de Deus.
Mateus organiza todo o assunto do Evangelho em cinco livrinhos, cada um contendo uma parte narrativa seguida de um discurso.
A palavra de Jesus é apresentada como resultado de uma ação e toda ação é sempre ensinamento.
domingo, 26 de junho de 2011
O Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus - Ano A
Jâmnia
Os fariseus fundaram a escola religiosa de Jâmnia (por volta de 75), onde se refugiaram ao sair de Jerusalém, para salvar e reconstruir a religião e as tradições judaicas, mas prevaleceu uma interpretação autoritária da lei e passaram a perseguir os cristãos, que foram tachados de traidores (Mt 10,17). Os Rabinos proibiram o uso, nas sinagogas, da tradução dos livros sagrados em grego, conhecida como Setenta. Só consideram livros cujos originais estivessem em língua hebraica. Refazem o judaísmo e condenam os judeus considerados traidores.
As fontes
O evangelho de Mt se valeu de Mc, da Quelle e de outros textos, mas os justapôs com o claro objetivo de responder: Quem é Jesus? E como se é discípulo dele?
Data
O Evangelho foi surgindo aos poucos, ao longo da caminhada das comunidades, com a ajuda de várias tradições escritas e orais. A redação final se deu depois da assembléia de Jâmnia (entre 85-90), e depois de Marcos e Lucas. O evangelho definitivo foi escrito por volta dos anos 80-90, ou seja, 50 anos depois da morte e ressurreição de Jesus.
A redação final se dá por volta de 80-90 nas colinas de Golán, entre a Síria e a Galiléia. Os destinatários eram roceiros das colinas de Golán.
Novo Moisés
Jesus é o novo Moisés. Ele veio levar a Lei de Deus à sua plenitude, proclamada por Jesus numa montanha, como no AT Moisés no Sinai.
Mt apresenta Jesus como o novo Moisés.
- Ele cumpre a Lei (5,17)
- Subiu ao monte e deu a nova Lei (5,1-11).
- Supera Moisés (5,27-7,29) = “O que foi dito..., eu porém vos digo...”
- Novo Moisés, novo Êxodo (2,13-29).
- Jesus venceu a tentação do deserto (4,1-11).
- Novo libertador (11,28-30).
O novo êxodo (2,13-18) cf (Ex 1-14)
Jesus, o novo Moisés refaz a história do antigo povo de Israel.
- Supera Moisés (5,27-7,29) = “O que foi dito..., eu porém vos digo...”
- Novo Moisés, novo Êxodo (2,13-29).
- Jesus venceu a tentação do deserto (4,1-11).
- Novo libertador (11,28-30).
O novo êxodo (2,13-18) cf (Ex 1-14)
Jesus, o novo Moisés refaz a história do antigo povo de Israel.
Vai ao Egito (Gn 37ss).
Em sua infância foge e os meninos são mortos (Ex 1-2).
Sua volta para Israel lembra o Êxodo (Ex 12-14), bem com a libertação messiânica de seu povo anunciada por Is 11,11-16; 10,25-27.
Sua volta para Israel lembra o Êxodo (Ex 12-14), bem com a libertação messiânica de seu povo anunciada por Is 11,11-16; 10,25-27.
Jesus personifica o novo povo de Israel: “Do Egito chamei meu filho”(Os 11,1).
Acontece agora um conflito entre o velho Israel (Herodes e sacerdotes) e o novo Israel (Jesus).
Assim, o novo êxodo preconizado por Jesus é a libertação da Lei, é a passagem da justiça dos escribas para a nova justiça do Reino.
sábado, 25 de junho de 2011
O Evangelho de Jesus Cristo, segundo São Mateus - Ano A
Quem é Mateus
O Evangelho é atribuído a um apóstolo mencionado em Mt 9,9; 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15; At 1,13, mas dificilmente Mateus estaria vivo quando foi feita a redação final do Evangelho.
Mateus foi um dos fundadores das comunidades cristãs e deve ter dado sua parcela de colaboração na inspiração inicial do Evangelho. As comunidades, como sinal de gratidão e de fidelidade, dedicaram-lhe a autoria.
Mateus chama de “igreja” a comunidade cristã e a considera continuadora legítima do Israel histórico.
Mateus apresenta Jesus com o título de Emanuel, que significa “Deus está conosco” (1,23). Jesus é o Messias que realiza todas as promessas do AT. Jesus é o Ungido de Deus, o filho de Abraão, o herdeiro de Davi (1,1)
Na Bíblia, Mateus (também chamado de Levi), é um dos doze apóstolos, Mc 2,14.
Foi um judeu que também era publicano romano, Mt 10,3.
Quando foi chamado por Jesus, deixou tudo e o seguiu, Lc 5, 27-28.
Preparou um grande banquete para Cristo, ao qual este assistiu, apesar de os publicanos serem desprezados. Lc 5,29.
Destinatários do Evangelho de Mateus
Cristãos de origem judaica, em forte tensão com os fariseus e os doutores da lei. Essa tensão passou a existir depois da destruição de Jerusalém no ano 70. (Mt 23,28; 24,15-18). Somente os fariseus e as comunidades cristãs sobreviveram.
Foi neste clima de rivalidade entre campo, cidades, comunidades cristãs e fariseus que foi escrito o evangelho de Mateus, provavelmente entre os anos 80 d.C. e 90 d.C.
Ele não foi escrito de uma só vez, ele foi surgindo aos pouco, ao longo da caminhada das comunidades e teve a ajuda de varias tradições escritas e orais.
E a comunidade? Esta Igreja vivia crise total. Era uma crise política, cultural e religiosa. Esta comunidade demonstra certo grau de organização, como celebrações e serviços: Batismo (Mt 28,19), Eucaristia (Mt 26,26-30), Reconciliação (Mt 18,15-17), poder de perdoar os pecados (Mt 16,18-20), de curar (Mt 10,1) e proclamar a Boa Nova do Reino (Mt 10,7). Todos assumiam suas responsabilidades com humildade e espírito de serviço (Mt 18,4; 20.26-28)
Mt é um texto feito em mutirão na comunidade. Certamente de comunidade da roça, de gente pobre, na maioria, judeus. O próprio redator final parece ser escriba (13,51).
As comunidades cristãs de Golán vivem tempos difíceis. Jerusalém foi destruída. Os cristãos convivem com os pagãos e com judeus fanáticos que os culpam pelas desgraças da cidade santa dos anos 70.
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