domingo, 7 de agosto de 2011

Evangelho segundo Mateus - O Discípulo

Homens de pouca fé foi a expressão muitas vezes usada para falar dos discípulos.
Mt 6,30; 8,26; 14,31;16,8; 17,17-20; Nos dois relatos de tempestade depois de salvar os discípulos Jesus repreende com esta expressão: “homens de pouca fé”. A Igreja, Povo de Deus, se encontra no mundo em situação muito complicada. O barco está indo à deriva. Jesus está e não está. O que serve alguém dormindo? Só estorva. O pavor não deixa mais raciocinar direito. A Igreja em muitas situações tem recorrido ao Senhor que parecia ausente. Nunca a Igreja pode dizer que foi abandonada pelo Senhor. Mas seria também bom que ela fizesse as celebrações em que pudesse gritar : Kyrie swson
Não é a impiedade que se opõe à fé mas o medo (Mt 25,25). O maior sinal de abertura à ação do Espírito Santo é a coragem! Que a Igreja tenha ousadias corajosas de realizar a vontade salvadora do Pai em Guarapuava.
A linha teológica que percorre o Evangelho é o tema do discipulado (Mt 13,52; 27,57;28,19). Jesus é o Mestre, seus discípulos formam uma comunidade de “pequenos”, apelativo que alude aos “pobres de Javé”. Por sua vez, os apóstolos que seguem Jesus são apresentados como os protótipos do discípulo fiel (4,20.25; 8,1.10.18-22; 10,38; 27,55); e Jesus os forma, abrindo-lhes a inteligência (o coração bíblico) para que compreendam (8,25; 14,17; 15,33; 18,1). (cf. Tomás Parra Sánchez, Quatro facetas de Jesus, pg. 65).
O fardo de Jesus para os discípulos não se compõe de mais de 600 leis que ninguém consegue cumprir. Assim é o fardo dos escribas (Mt 23,4) . O fardo de Jesus é leve Mt 11,30. Se reduz a uma lei somente. A lei do amor ao próximo. Além do mais Ele carrega sobre as enfermidades e carrega nossas doenças (Mt 8,17).
O que o discípulo de Jesus precisa fazer? Ele precisa dizer para todo mundo que Deus está perto da gente. Que agora acabou o tempo das trevas, mas uma grande luz brilha na vida da gente. Deus nunca mais vai nos abandonar. Ele está no meio de nós.
“Vós sois o sal da terra. ... “Mt 5,13. Assim são os discípulos para a humanidade. Um critério de avaliação para o discípulo saber se está no caminho bom é este: É sal da terra? Está sendo um caminho bom? Dá gosto de viver para outros?  Pela vida dos discípulos os homens poderão reconhecer o Pai?
“Vós sois a luz do mundo.... Mt 5,14. “Mas subsiste o perigo de a Igreja esmorecer na sua altíssima tarefa, destruindo com as próprias mãos o seu significado no mundo. Pode acontecer que não irradie raios de luz para iluminar os homens, que deixe de ser campo de forças e energias fecundadoras da sociedade. O risco, para o qual sempre se inclina, é o de não dizer nada mais de fecundo e iluminante para a humanidade, pelo fato de não ser mais operativa na linha da existência própria dos filhos de Deus cujo testemunho são gestos de amor desinteressado “(Barbaglio pg. 117).
Todo discípulo é missionário. Não deve ser como os escribas e fariseus que percorrem mar e terra para converter (Mt 23,15) e transformam a pessoa em candidato ao inferno. Deve o discípulo, pela prática de vida, mostrar o caminho do discipulado a todos.
Todo discípulo é católico. Ele deve se dirigir a todo mundo. Não deve se circunscrever ao universo cultural próprio, mas estender sua ação a todas as culturas.
O discípulo se empenha em ser a extensão aos outros de tudo o que proclamam as bem aventuranças.
Ele é o pobre, ele é o manso, ele é o pacífico, ele tem fome e sede de justiça. O que normalmente não gostamos de ouvir: o discípulo é o perseguido. Ele também é o insultado, por causa de Jesus. Seria bom concretizarmos estas propostas para dentro de nossa Igreja particular e para dentro de nossas comunidades paroquiais. Não fazer destas propostas ideais muito bonitos, porém desencarnados. Sua encarnação muitas vezes é tão difícil!  Este retiro seja o momento o Kairós do Espírito para que, pela coragem dele (e o nosso medo?) possamos oferecer ao Cristo uma Igreja segundo a compreensão que Mateus (Dom de Deus) nos apresenta pelo seu Evangelho.
Pe. José Bonifácio Schmidt

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